Poesia...


Giorgos Seféris
SINOPSE: Poeta grego (1900-1971), Giorgos Seféris é considerado um dos maiores representantes da geração de 30, que introduziu o Simbolismo na literatura grega moderna. Sua obra compreende dez coleções poéticas, bem como vários ensaios e estudos literários, especialmente sobre a poesia grega. Suas viagens e longas estadas fora da Grécia coloriram intensamente sua poesia e tornaram-no uma incorporação moderna do Odisseu errante. Superando as lições aprendidas com o Simbolismo, e assimilando as lições aprendidas com Kaváfis, o Conto marca o início da poesia e estilo característicos de Seféris. As 24 peças do livro são narradas por viajantes exilados, contemporâneos e ancestrais ao mesmo tempo, em uma língua difícil, contemporânea e ancestral. A poesia de Seféris é em tom menor, melancólica. Carrega a tristeza do homem que reflete sobre o humano, do grego com os sentimentos de amargura trazidos pela erosão de sua paisagem e de suas peripécias. À margem oposta da escuridão está, porém, a luz angélica de nossa infância, estão as pombas vermelhas que insistem em gravar nosso destino na luz. E, imerso em sombras, no limiar do desespero, há um sólido sentir, uma firme esperança de superação, uma fé, insistente, sussurrando: um pouco ainda... um pouco ainda... [Leia mais...] [Adquirir...]
Dos tradutores:
Miguel Sulis é doutorando em Literatura pela UFSC,
com especialização em tradução da obra de Kaváfis;
Apóstolo Nicolacópulos é professor nas
disciplinas de Inglês, Semântica e Grego da UFSC;
Marcelo Jolkesky é Bacharel em Letras pela UFSC
e mestrando em Lingüística pela UEL.
Outras traduções pela Nephelibata:
Os Poemas (1º e 2º vols), de K.P. Kaváfis
Pequena suíte em Vermelho Maior, de Giánnis Ritsos
(poemas integrais)
I
O anjo
há três anos o esperávamos atentos
olhando de muito perto
os pinheiros a praia e as estrelas.
Unindo-nos ao fio do arado ou à quilha do barco
procurávamos reencontrar a primeira semente
para recomeçar o antiqüíssimo drama.
Voltamos a nossas casas derrotados
com membros fracos, com a boca corroída
pelo gosto da ferrugem e do sal.
Ao acordar viajamos para o norte, estrangeiros
imersos nas brumas das asas imaculadas dos cisnes que nos feriam.
Nas noites de inverno o forte vento do oriente nos enlouquecia
nos verões nos perdíamos na angústia do dia que não conseguia expirar.
Trouxemos de volta
estes relevos de uma arte humilde.
XI
Teu sangue gelava às vezes como a lua,
em meio à noite inexaurível o teu sangue
abria suas asas brancas sobre
as rochas negras os contornos das árvores e as casas
com um pouco de luz dos anos de nossa infância.
XXII
Se passaram tantas coisas frente a nossos olhos
que mesmo os nossos olhos nada viram, mas adiante
e atrás a memória como o pano branco numa noite em um curral
quando vimos imagens estranhas, mais ainda do que tu,
passarem e perderem-se na folhagem imóvel de uma pimenteira;
se conhecemos tão bem esse nosso destino
girando entre pedras quebradas, há três ou seis mil anos
procurando em construções ruídas que seriam quiçá nossa própria casa
tentando lembrar de cronologias e atos heróicos;
conseguiremos?
se nos unimos e separamos
e lutamos com dificuldades inexistentes como diziam,
perdidos, reencontrando um caminho cheio de regimentos cegos,
afundando em pântanos e no lago de Maratona,
conseguiremos morrer normalmente?
M.P.V.Jolkesky e A.T.Nicolacópulos. Desterro: Nephelibata, 2005, pp. 7, 31 e 53.
