Poesia...


Giánnis Ritsos
SINOPSE: "Em Pequena suíte em vermelho maior, corpos avermelhados, olhos em chamas, bocas que fremem em vermelhos ardentes, animados na embriaguez de Eros, tecidos pelo capricho de um despertar no regaço, se desprendem naqueles que, com efeito, representam o retorno às raízes arquetípicas do mythos e, ao mesmo tempo, a cinese orgiástica e o surto erótico que aos sentidos e à imaginação falam: os poemas eróticos de Giánnis Ritsos, poeta grego. Publicado em 1981, Pequena suíte conforma a primeira unidade, entre três, do volume Os eróticos. Segundo as próprias palavras do poeta, a composição destes poemas é um antídoto ao implacável deterioramento do tempo e à velhice do corpo. Eros, metáfora central da maioria das composições, aparece ora como força coesiva ora como força conciliadora: uma espécie de inimigo irmão. Os corpos, mais do que desprendidos, ruborizados com óleo dos ritmos, figuram como paisagens indizíveis, ora existentes ora incondicionalmente existentes. Nesta Pequena suíte, a poesia e o corpo nu, em suma, se despem, se vestem e se mesclam com arrebatamento. E o leitor então é convidado a contemplá-los com lascívia pois tão pronto os afagos recomeçarão, hábeis na volúpia e no toque." (G. Lentz) [Leia mais...] [Adquirir...]
sua obra compreende mais de cem coleções poéticas e composições, além de contos, peças teatrais e ensaios.
Dos tradutores:
Miguel Sulis é doutorando em Literatura pela UFSC,
com especialização em tradução da obra de Kaváfis;
Apóstolo Nicolacópulos é professor nas
disciplinas de Inglês, Semântica e Grego da UFSC;
Marcelo Jolkesky é Bacharel em Letras pela UFSC
e mestrando em Lingüística pela UEL.
Outras traduções pela Nephelibata:
Os Poemas (1º, 2º e 3º vols), de K.P. Kaváfis
Conto & Gimnopédia, de Giorgos Seféris
(poemas integrais)
*
Os dedos nas mãos
os dedos nos pés
falos
entre os cinco dedos
quatro vulvas
– vinte e dezesseis –
antes de conseguires
fazer a soma
teu esperma jorra
nos lábios da estátua
Atenas, 8.II.80
*
Seu movimento
seus cabelos
suas mãos
um soldado sozinho
dentro da floresta
um papagaio de papel
deixado na pedra
um pedaço de caminho
na soalheira forte
caminho molhado
por água ignota.
Kálamos, 10.II.80
*
Uniram os lábios
as línguas
sua saliva
sua saliva coalhou
assim criaram
um deus
pequenas margaridas
nos pêlos do seu peito
um pão em seus joelhos
e o compasso pregado
no centro do mapa –
o mundo é círculo.
Atenas, 12.II.80
M.P.V.Jolkesky e A.T.Nicolacópulos. Desterro: Nephelibata, 2004, pp. 29, 37 e 49.
