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Poesia...





Os Poemas (1920-1925)
Konstantinos P. Kaváfis

[3º volume]


SINOPSE: Poeta grego, K.P. Kaváfis (1863-1933) foi uma das figuras mais fundamentais da literatura grega do último século. Nasceu em Alexandria, Egito, onde passou a maior parte de sua vida. Sua obra, no entanto, embora pequena, devido ao mais exigente rigor, se produziu no âmago de uma cultura local em risco de desaparecer — a dos gregos de Alexandria — e resultou ser, por sua excelência estética e sua capacidade de recorrer ao núcleo essencial da natureza humana, uma obra central de nosso tempo. Kaváfis criou um estilo literário bastante singular, algo solene e sui generis, mesclado com o grego de sua época. Dessa forma, um novo impulso da obra de Kaváfis toma lugar agora no Brasil através desta minuciosa tradução, em uma edição bilíngüe, que faz transparecer o crivo que se desenvolveu no original e que conduziu ao equilíbrio que ora ela é, na qual a natureza íntima e a originalidade da obra de Kaváfis novamente vieram para ficar em sua própria poesia, excitando e fecundando, porém, a nossa própria língua.   [Leia mais...] [Adquirir...]


Dos tradutores:
Miguel Sulis é doutorando em Literatura pela UFSC,
com especialização em tradução da obra de Kaváfis;


Apóstolo Nicolacópulos é professor nas
disciplinas de Inglês, Semântica e Grego da UFSC;


Marcelo Jolkesky é Bacharel em Letras pela UFSC
e mestrando em Lingüística pela UEL.



Outras traduções pela Nephelibata:
Pequena Suíte em Vermelho Maior, de Giánnis Ritsos
Conto & Gimnopédia, de Giorgos Seféris



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TRÊS POEMAS
(poemas integrais)


PARA QUE VENHAM –

Uma vela basta.      Sua luz tão leve
uma atmosfera adequada      e mais atraente há de compor
quando vierem as Sombras,      quando vierem do Amor.
Uma vela basta.      Que o quarto hoje à noite
não tenha luz assaz.      Imerso em devaneio
e insinuação audaz,      e com a pouca luz –
ao devaneio entregue      hei de sonhar em breve
para que venham as Sombras,      para que venham do Amor.


VEIO PARA LER –

Veio para ler. Estão abertos
dois, três livros; historiadores e poetas.
Mas mal leu por dez minutos,
e os abandonou. No sofá
dormita. Pertence de todo aos livros –
mas tem vinte e três anos, e é muito belo;
e hoje à tarde Eros passou
pela sua carne ideal, pelos lábios.
Pela sua carne que é só beleza
passou o ardor erótico;
sem pudores ridículos pela forma do prazer.....


NO LITORAL ITALIANO

Kimos Menedóru,      um jovem Italiota,
a sua vida passa      em meio a diversões;
como costumam estes      jovens que cresceram
em meio ao muito luxo      que há na Magna Grécia.

Mas hoje está mui,      além do natural,
triste e pensativo.      Perto do litoral,
com pura melancolia      vê que descarregam
navios com os espólios      do Peloponeso.

D e s p o j o s   g r e g o s;      o   e s p ó l i o   d e   C o r i n t o.

Ah hoje com certeza      não é permissível,
nem mesmo é possível      que o jovem Italiota
tenha por diversões      o mínimo desejo.



Konstantinos Kaváfis. Os Poemas (1920-1925). Trad. de R.M.Sulis,
M.P.V.Jolkesky e A.T.Nicolacópulos. Desterro: Nephelibata, 2006, pp. 17, 63 e 75.