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Poesia...





Os Poemas (1915-1919)
Konstantinos P. Kaváfis

[2º volume]


SINOPSE: Poeta grego, K.P. Kaváfis (1863-1933) foi uma das figuras mais fundamentais da literatura grega do último século. Nasceu em Alexandria, Egito, onde passou a maior parte de sua vida. Sua obra, no entanto, embora pequena, devido ao mais exigente rigor, se produziu no âmago de uma cultura local em risco de desaparecer — a dos gregos de Alexandria — e resultou ser, por sua excelência estética e sua capacidade de recorrer ao núcleo essencial da natureza humana, uma obra central de nosso tempo. Kaváfis criou um estilo literário bastante singular, algo solene e sui generis, mesclado com o grego de sua época. Dessa forma, um novo impulso da obra de Kaváfis toma lugar agora no Brasil através desta minuciosa tradução, em uma edição bilíngüe, que faz transparecer o crivo que se desenvolveu no original e que conduziu ao equilíbrio que ora ela é, na qual a natureza íntima e a originalidade da obra de Kaváfis novamente vieram para ficar em sua própria poesia, excitando e fecundando, porém, a nossa própria língua.   [Leia mais...] [Adquirir...]


Dos tradutores:
Miguel Sulis é doutorando em Literatura pela UFSC,
com especialização em tradução da obra de Kaváfis;


Apóstolo Nicolacópulos é professor nas
disciplinas de Inglês, Semântica e Grego da UFSC;


Marcelo Jolkesky é Bacharel em Letras pela UFSC
e mestrando em Lingüística pela UEL.



Outras traduções pela Nephelibata:
Pequena Suíte em Vermelho Maior, de Giánnis Ritsos
Conto & Gimnopédia, de Giorgos Seféris



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TRÊS POEMAS
(poemas integrais)


UM DEUS DELES

Quando algum deles passava pelo mercado
da Selêucia, pela hora em que anoitece,
como um rapaz alto e perfeitamente belo,
com a alegria da imortalidade nos olhos,
com seus cabelos negros aromatizados,
os passantes olhavam-no
e um ao outro perguntava se o conhecia,
e se era Grego da Síria, ou estrangeiro, Mas alguns,
que observavam com mais atenção,
percebiam e afastavam-se;
e enquanto perdia-se sob as arcadas,
em meio às sombras e em meio às luzes da noite,
indo para o bairro que somente
à noite vive, com orgias e licenciosidade,
e embriaguez de todo tipo e lascívia,
divagavam qual Deles seria,
e por qual gozo suspeito seu
desceu às ruas da Selêucia
das Veneráveis, Excelsas Moradas.


LEMBRA, CORPO...

Corpo, lembra não só o quanto foste amado,
não só as camas onde deitaste,
mas também aqueles desejos que por ti
brilhavam explícitos nos olhos,
e tremiam na voz – e que algum
obstáculo fortuito frustrou.
Agora que tudo já está no passado,
parece quase como se àqueles
desejos te entregaste – como brilhavam,
lembra, nos olhos que te olhavam;
como tremiam na voz, por ti, lembra, corpo.


PARA FICAR

Seria uma hora da noite,
ou uma e meia.
                              Em um canto da taverna;
atrás da divisória de madeira.
Além de nós dois o lugar completamente vazio.
Uma lamparina mal o iluminava.
Dormia, na porta, o empregado de plantão.

Ninguém nos veria. Mas já
havíamos nos excitado tanto,
que não estávamos aptos para cuidados.

As roupas entreabriram-se – muitas não eram
pois fervia o divino mês de Julho.

Gozo da carne em meio
às roupas entreabertas;
lesto desnudar da carne – sua imagem
atravessou vinte e seis anos; e agora veio
para ficar nesta poesia.



Konstantinos Kaváfis. Os Poemas (1915-1919). Trad. de R.M.Sulis,
M.P.V.Jolkesky e A.T.Nicolacópulos. Desterro: Nephelibata, 2005, pp. 49, 71 e 97.