Poesia...


Konstantinos P. Kaváfis
[1º volume]
SINOPSE: Poeta grego, K.P. Kaváfis (1863-1933) foi uma das figuras mais fundamentais da literatura grega do último século. Nasceu em Alexandria, Egito, onde passou a maior parte de sua vida. Sua obra, no entanto, embora pequena, devido ao mais exigente rigor, se produziu no âmago de uma cultura local em risco de desaparecer — a dos gregos de Alexandria — e resultou ser, por sua excelência estética e sua capacidade de recorrer ao núcleo essencial da natureza humana, uma obra central de nosso tempo. Kaváfis criou um estilo literário bastante singular, algo solene e sui generis, mesclado com o grego de sua época. Dessa forma, um novo impulso da obra de Kaváfis toma lugar agora no Brasil através desta minuciosa tradução, em uma edição bilíngüe, que faz transparecer o crivo que se desenvolveu no original e que conduziu ao equilíbrio que ora ela é, na qual a natureza íntima e a originalidade da obra de Kaváfis novamente vieram para ficar em sua própria poesia, excitando e fecundando, porém, a nossa própria língua. [Leia mais...] [Adquirir...]
Dos tradutores:
Miguel Sulis é doutorando em Literatura pela UFSC,
com especialização em tradução da obra de Kaváfis;
Apóstolo Nicolacópulos é professor nas
disciplinas de Inglês, Semântica e Grego da UFSC;
Marcelo Jolkesky é Bacharel em Letras pela UFSC
e mestrando em Lingüística pela UEL.
Outras traduções pela Nephelibata:
Pequena Suíte em Vermelho Maior, de Giánnis Ritsos
Conto & Gimnopédia, de Giorgos Seféris
(poemas integrais)
VOZES
Vozes ideais e amadas
daqueles que morreram, ou daqueles que estão
perdidos para nós como os mortos.
Às vezes falam em nossos sonhos;
às vezes as escuta em pensamento a mente.
E com seu som voltam por um instante
sons da primeira poesia de nossa vida –
como música, à noite, distante, apagando-se.
DEUS ABANDONA ANTÔNIO

Quando de súbito, à meia-noite, ouvir-se
cortejo invisível a passar
com músicas sublimes, com vozes –
tua sorte que já cede, tuas obras
que fracassaram, os planos de tua vida
que deram errado, não te lamentes em vão.
Como se pronto desde há muito, como um bravo,
despede-te, da Alexandria que parte.
Sobretudo não te enganes, não digas que foi
um sonho, que tua audição se iludiu;
tais esperanças vãs não aceites.
Como se pronto desde há muito, como um bravo,
como condiz a ti que foste digno de tal cidade,
aproxima-te com firmeza da janela,
e ouve com emoção, mas não
com as súplicas e lamentos dos covardes,
até o último deleite os sons,
os instrumentos sublimes do cortejo secreto,
e despede-te, da Alexandria que perdes.
FUI
Não me prendi. Rendi-me de todo e fui.
Aos deleites, que meio reais,
meio errantes estavam em minha mente,
fui à noite iluminada.
E bebi de vinhos fortes, como
bebem os bravos do prazer.
M.P.V.Jolkesky e A.T.Nicolacópulos. Desterro: Nephelibata, 2003, pp. 49, 75 e 105.
