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Suspenso e Alheio
Jéferson Dantas


*Jéferson Dantas é natural de Bagé/RS. Historiador e Mestre em Educação. Professor universitário. Articulador dos estudos do currículo da Comissão de Educação do Fórum do Maciço do Morro da Cruz na cidade de Florianópolis. Compositor e letrista. Escreve poemas e contos nas noites insones.
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SUSPENSO E ALHEIO
(excerto)


      Agora, um cheiro aziago pela casa. A carne podre na geladeira. O vinho que não terminei de beber. Uma enorme barata me olha do quarto. A chuva continua, começa a escurecer. Meu joelho dói. Pela janela acompanho o homenzinho do colete azul. Os passos trôpegos e um guarda-chuva hesitante em suas mãos. A podridão da carne já empesteia o ar. Retiro a carne apodrecida da geladeira. Poderia ser o meu corpo, pensei. Podre e sem utilidade. Enrolo-a em sacos de plástico e jornais. Com o embrulho entre os braços, chego à rua. Não sinto minhas pernas. Oh, o vinho! O vinho! Só lembro que fui golpeado na nuca. A perda dos sentidos. Um arremedo de homem, um arremedo de homem, arremedo...


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